Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Perspectiva de preparação do futuro e investimento inteligente

Segunda-feira, 15.01.18

 

 

Vivemos numa época de transição, e isto também se aplica ao sistema político. Com as actuais tecnologias científicas já não se justifica tantos obstáculos à optimização dos recursos colectivos. E neste momento o sistema político é mais obstáculo do que facilitador.

Os cidadãos não estarão disponíveis para continuar a pedalar em seco para alimentar um Estado lento, pesado e burocrático e uma subserviência a Bruxelas.

Continuarmos a ver o futuro ensombrado pela incapacidade de previsão dos actuais protagonistas políticos não é muito inspirador. Assim como a cultura que representam.

Vê-los juntos ou em alternância, também não me parece entusiasmante. Ambos partilham a prioridade "agradar a Bruxelas", ambos gostam de controlar tudo, ambos agirão com pouca transparência, a teimosia é um traço comum assim como a arrogância, um não é responsável pelas falhas o outro nunca perde eleições (= como um ex-PM que nunca se enganava).

 

A única área que correrá melhor é a ordem pública, a segurança, a prevenção. Para não continuar a revelar fragilidades, o governo estará mais atento e alerta. Dificilmente continuaremos a ouvir uma ministra da Justiça afirmar que a PJ identificou mais perfis de incendiários do que o número de incendiários presos, por exemplo. E na prevenção rodoviária, os pontos serão para valer e haverá cassação de cartas.

O apoio às vítimas, os prejuízos, a reconstrução, será outra prioridade. 

Também o SNS será uma área acarinhada a partir de agora. 

Quanto ao desperdício de dinheiro e de recursos no sistema bancário, essa é uma incógnita. No entanto, o fisco estará muito afinado, resta saber se apenas para os que não lhe podem escapar por não terem dimensão e advogados fiscais. E os recibos verdes continuarão a ver-se aflitos para perceber o "complex" em que os meteram. 

O que fica para trás, como sempre, pela cultura de "bloco central"? Exactamente. A educação, os professores, as escolas, as universidades.

 

E se isto for mesmo assim, não estaremos assim tão mal, pois não? 

Estaremos mesmo mal, é o que ouvimos recentemente a Vitor Bento, que nos devíamos estar a preparar para os desafios futuros, para não ficarmos completamente dependentes de fora, sem produzir. O mesmo não será dizer que é tempo da Economia, e não apenas das Finanças?

 

E nessa perspectiva de preparação do futuro, não são a saúde e a educação áreas fundamentais?

Nessa perspectiva de preparação do futuro, em vez de obrigar os contribuintes a enfiar dinheiro no sistema financeiro que não os reconhece como accionistas, um sistema que irá sofrer grandes abalos e mudanças, porque não incentivar o investimento em empresas produtivas, que os reconheceriam como accionistas?

Os montantes absurdos que este governo já enfiou nos bancos falidos deve ser exigido pelos contribuintes em investimento inteligente, a trazer retorno para a próxima geração, pelo menos.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:44

A Escola ponto

Quinta-feira, 19.05.16

 

 

  

A Escola ponto é uma marca privada que se vestiu de amarelo e que se quer considerar parte integrante da rede escolar, embora as regras sejam completamente diversas da escola pública. As regras, a cultura de base e a população estudantil. O ponto quer precisamente ligar o que não é possível ligar.

Portanto, a Escola ponto é uma marca montada com habilidade para convencer a opinião pública de que presta um serviço público e que, assim sendo, deve continuar a ser financiada com o dinheiro do contribuinte.

 

Deve, portanto, perguntar-se ao contribuinte: Está disposto a continuar a sustentar os colégios com contrato de associação? Pegando num dos argumentos-chave da marca amarela Escola ponto, também o contribuinte deve ter liberdade de escolha.

Além disso, o contribuinte foi maltratado, desconsiderado e esmifrado pelos partidos políticos que apoiam a Escola ponto. Partidos políticos que cortaram na Escola Pública.

 

Outro argumento-chave da Escola ponto é a defesa do interesse das famílias. Então e o abandono dos apoios no Ensino Especial? E os preços exorbitantes dos manuais escolares que mudavam anualmente? Como é que isso ajudava as famílias? Afinal, de que famílias estamos a falar?

 

Estamos finalmente a ver um ministro da Educação com uma visão ampla, clara e estratégica da Escola Pública e da Educação. 

Parece que já está a ser pressionado, prensado e massacrado pelos lóbis da Escola ponto. Igreja, empresários da educação, PSD, CDS, isto para abreviar. Por isso, embora tenha o apoio dos partidos que suportam o governo, seria importante ter o apoio do contribuinte.

 

 

Post publicado no Vozes Dissonantes.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 08:20

A percepção da realidade de uma consciência abrangente

Quinta-feira, 09.05.13

 

Uma capacidade humana é a de aprender, abrir os horizontes, mudar a sua percepção da realidade, isto se estiver receptiva e curiosa em relação a tudo o que a rodeia, às pessoas concretas, às comunidades, à forma como se organizam.

Sempre me interessei pela análise da cultura de base de indivíduos e grupos, de empresas, de partidos políticos, de governos, das lideranças de grandes organizações (como a UE, por exemplo).

A minha análise está mais virada para a influência da cultura de base na intervenção política ou na intervenção financeira, pois tem um peso determinante na vida das pessoas.

 

Mantenho actuais algumas das minhas análises: a guerra do Iraque, por exemplo, que considerei uma invasão sem qualquer justificação possível. Participei em 2003 na manifestação em Lisboa. Antes dessa, só tinha participado na vigília por Timor. Depois dessa, só numa mini-manifestação (por falta de comparência de muitos) pela liberdade de expressão.

 

 

Análise da cultura de base do anterior governo PS:

 

Embora hoje já tenha mais elementos de comparação entre a gestão do anterior governo com a do actual, ainda mantenho o essencial da análise da cultura de base do anterior governo: cultura corporativa (grandes grupos económicos e financeiros, a banca, os grandes negócios). O seu estilo era, no entanto, modernaço: o deslumbramento pueril de um modernismo dispendioso, a desorçamentação, as PPPs, as fundações, os institutos, os estudos disto e daquilo, o TGV e o novo aeroporto, a ausência de supervisão bancária com o resultado desastroso.

Verificou-se a prioridade da imagem sobre a realidade concreta, a sociedade-espectáculo em powerpoint, o perfil do urbano moderno, rico e famoso como o exemplo de sucesso a seguir, a promoção de uma vida saudável e acéptica, as causas fracturantes, a aceleração do abandono do interior do país só lá colocando as hélices de uma energia verde para contribuinte pagar, o desprezo pela agricultura e pescas, pela terra como fonte de autonomia alimentar.

Verificou-se o aumento da diferença entre ricos e pobres, o aumento do desemprego e da emigração, números que nunca foram devidamente contabilizados. Foi também o início da desintegração social, a perseguição da ASAE aos feirantes e pequenos negócios de rua, preferindo ver essas pessoas a viver na dependência de subsídios, o polémico RSI. Quanto à grande evasão fiscal, pouco ou nada.

Em todo o caso, o estado social, ou seja, os serviços públicos prestados aos cidadãos foram preservados dentro de alguma qualidade e segurança. Digamos que havia um limite que nem o anterior governo, já com a corda ao pescoço, teve a lata de pisar: o limite das regras básicas de uma constituição democrática. Apesar dos tiques de um certo autoritatismo e a tendência para controlar a informação, procurava-se pelo menos a eficiência dos serviços públicos, não a sua destruição e alienação como vemos agora acontecer.

Se esse caminho também iria ser percorrido se o PEC 4 tivesse passado? Não sei. É certo que já se falava na desvalorização do trabalho, Manuel Pinho foi vender essa ideia à China, António Borges penso que já andava a fazer a sua acção de evangelização, mas teriam ido tão longe como este governo?

 

 

Cultura de base do CDS:

 

Aqui confesso que a minha análise da cultura de base do CDS, que pensava democrata cristã, estava completamente errada. Aqui não tenho atenuantes, pois os sinais estavam todos lá, a sua marca registada de cultura corporativa de estilo profundamente elitista, de sentimento de pertença às classes privilegiadas, tal como no Estado Novo. Há ali um saudosismo desse respeitinho quando falam de uma tradição caduca e ultrapassada.

Um dos sinais a que não dei o devido valor, mas já estava tudo lá, foi a sua perseguição ao RSI no período do anterior governo, quando se deu início à tal desintegração social através da perseguição da ASAE aos feirantes e pequenos negócios de rua de que falei lá atrás, que acabou por colocar essas pessoas a viver na dependência de subsídios. Foi nesse processo do RSI que eu vi a face mais mesquinha e moralista da cultura corporativa: primeiro os modernaços do PS retiram-lhes a sua forma natural de vida, de uma economia paralela de subsistência, para os colocar na subsidiodependência e, com isso, retirar-lhes a dignidade e autonomia (vítima uma vez), para depois serem culpabilizados por políticos moralistas do CDS como não querendo trabalhar e preferindo viver à custa do contribuinte (dupla vítima).

Podiam ter começado, pelo menos, por exigir com o mesmo entusiasmo a fiscalização da grande evasão fiscal, pois é essa que vale não sei quantos mil milhões.

Mas honra lhes seja feita, falaram na agricultura (que agora esqueceram) e na ausência de supervisão bancária.

 

Esta minha súbita lucidez tem um sabor amargo: o meu equívoco levou-me a apostar num Momento e a contribuir, embora à minha pequena escala, para a emergência de uma cultura que não se fica por não ter assimilado e interiorizado as regras da democracia, mas por ser mesmo anti-democrática.

Afinal Este é o Momento em que acreditei (valha-me Deus!), era o momento da compensação desejada, não no sentido de vingança propriamente dita, mas de uma certo ajuste de contas com a história. Ao lado de Durão Barroso e de Santana Lopes isso não foi visível porque havia Bagão Félix como mentor e símbolo moral da cultura verdadeiramente democrata-cristã. Mas agora não há Bagão Félix no governo e Passos Coelho está longe de ser um Durão Barroso e não tem a natureza empática e tolerante, próprias de uma cultura democrática, de Santana Lopes. Assim, os CDS, em roda-livre, revelaram a sua verdadeira natureza.

E ainda conseguiram ultrapassar um limite moral que nunca julguei possível: desprezar os mais fracos (reformados) colocando-os no joguete político para tentar salvar o seu peso eleitoral. Os reformados não precisam nem de paternalismo nem de caridadezinha, precisam de respeito, tal como qualquer cidadão. Mas isso eles não conseguem entender ou aceitar. Para isso, era preciso interiorizar a cultura democrática e estão muito longe de o conseguir.

 

 

Cultura de base do PSD:

 

Também aqui me enganei: embora não me tenha apanhado de surpresa na cultura corporativa de base, o PSD conseguiu ultrapassar todas as minhas expectativas. A sua cultura de base não é apenas corporativa semelhante à do anterior governo (grandes grupos económicos e financeiros, a banca, os grandes negócios). É que o anterior governo, apesar de bom aluno de Bruxelas, queria pelo menos andar para a frente, para um futuro cibernético, de uma economia virtual, de energia verde, da internet, da investigação, da educação de sucesso para todos, das novas oportunidades, puxar pelo país, de um país práfrentex, do simplex (algumas destas iniciativas até tinham algum mérito, nem que fosse só nas suas boas intenções).

 

Onde o PSD me surpreendeu é que, em vez de se virar para o futuro se tenha virado para o passado, para um tempo semelhante ao do Estado Novo, e de não ser apenas um bom aluno de Bruxelas, é um clone dos tecnocratas de Bruxelas, um robô-tecnocrata de Bruxelas. Na verdade, a troika nem precisava de se dar ao trabalho de cá vir, devem ter de se vir mostrar nos corredores do poder só para assustar os portugueses e convencê-los que eles são a troika. A troika já cá estava antes da troika descer do avião

Claro que também me conseguiu surpreender e apanhar de surpresa quando, em vez de cortar nos mais fortes, começou logo a cortar nos mais fracos e remediados. Assim como o facto de reduzir a sua intervenção ao ministério das finanças e a cortes disto e daquilo, parecia o Eduardo Mãos de Tesoura.

Não sabia que gerir um país era colar-se às exigências dos credores, ficar do lado dos credores, associar-se aos credores, contra os seus conterrêneos, chegando ao cúmulo de se identificarem culturalmente (nos preconceitos norte-sul da Europa) e moralmente (culpando as pessoas da má gestão política e financeira) com os nossos credores, para assustar e manter em suspense os seus conterrâneos.

O resultado é a liquidação dos serviços públicos (talvez um sonho antigo, estilo Margaret Thatcher), depois de terem destruído a economia nacional (micro, pequenas e médias empresas).

 

 

Gerir um país é isso? Cortar aqui e ali? 

Pensava que gerir um país era dar o exemplo, nisso até Salazar era melhor. 

Pensava que gerir um país, era contar a verdade às pessoas, a dimensão da dívida, a origem da dívida, a natureza da dívida. E isto por montantes exactos.

Depois, informar as pessoas sobre as exigências dos credores e explicar as suas razões.

A seguir, informar sobre o que iriam fazer para minimizar os danos na economia e na vida das pessoas e das famílias, como iriam tentar negociar na Europa melhores condições para o seu país e os seus conterrâneos.

 

 

 

Esta é a minha análise, ainda por verificar e validar, relativamente ao governo:

 

O que os cidadãos vêem como insucesso, este governo vê como sucesso: é o desemprego e a emigração que permitem a desvalorização do trabalho, pois o investimento privado que querem atrair baseia-se em mão de obra barata e trabalho precário.

Esse é o modelo de país que serve os grandes grupos económicos e financeiros que por cá passarão enquanto for rentável para depois irem sugar outros países e outros recursos.

 

Este é também o modelo de Europa que os tecnocratas desenharam, com diferenças norte-sul, países de 1ª e de 2ª. Para conseguirem o controle absoluto (onde cabe aqui a democracia e os cidadãos?) têm de conseguir o controle fiscal (!) e político (!!) dos países da eurozona.

 

 

 

E ainda falta a análise da cultura de base do PCP, do BE e dos Verdes:

 

Esta análise é a mais difícil, em parte porque ainda não fizeram parte de nenhuma equipa governativa, a não ser o PCP no verão quente e com Vasco Gonçalves.

Já tinha lido alguns livros na Primavera marcelista para saber que a organização colectivista, aplicada a uma comunidade e a uma cultura, nega a própria natureza humana: a diversidade desejável, a criatividade, a rebeldia, a vitalidade.

Posso é já adiantar, mas está por testar, que a expressão eleitoral estável do PCP se explica não apenas pela cultura corporativa do PSD, PS e CDS, mas também pela forma como gerem o poder, cada um ao seu estilo: tecnocrata autoritário europeísta do PSD; gestão pública danosa do PS; e o elitismo tradicional moralista do CDS.

 

Talvez também por estas razões o BE chegou a ter uma expressão eleitoral significativa e actualmente volta a estar a subir na simpatia dos potenciais eleitores.

Do BE recordo o papel importante de Miguel Portas, não apenas como eurodeputado, mas como homem do mundo, da nossa universalidade, qualidade tão portuguesa e talvez inigualável. Os seus documentários eram verdadeiras aulas de história das culturas.

Francisco Louçã está a revelar-se melhor comentador-professor-escritor do que deputado. E a entusiasmada Catarina Martins, agora mais calma, tem revelado empenho e entusiasmo nas suas intervenções. 

Quanto à sua cultura de base, consigo para já identificar a rebeldia, o seu protesto contra uma tendência corporativa mundial dominada pela finança.  Essa tendência hoje é visível. Só recentemente compreendi a razão dos seus protestos nas reuniões do G8 e do G20, que antecederam as transferências de capital da economia e dos contribuintes para os grandes bancos, que por sua vez antecederam as actuais reuniões e intervenções das troikas e dos tecnocratas de Bruxelas. Também só recentemente compreendi o movimento Occupy Wall Street. Enquanto esta perigosa concentração de poder das corporações e da finança se mantiver a nível europeu, reflectindo-se nos países do sul e do leste, o BE terá expressão eleitoral, independentemente da sua ideologia política estar ou não datada.

 

Os Verdes são os Verdes, iguais a si próprios desde que ouço Heloísa Apolónia nalgumas das suas intervenções. Certeira no diagnóstico, estilo provocador, actualmente mais conciliatória talvez por perceber que a nossa situação é mesmo de emergência.

 

 

Digamos que actualmente quem diagnostica melhor a realidade pode não estar ainda preparado para propor o melhor caminho, mas a percepção da realidade já é um passo.

A sociedade civil está muito mais atenta, também é nela que vemos a vitalidade e criatividade da mudança cultural para uma democracia de qualidade, uma sociedade inteligente, aberta, criativa, tolerante, inclusiva.

E os jovens são os que estão melhor posicionados para dinamizar os movimentos cívicos: por uma economia da colaboração, liberta de constrangimentos, nas áreas que nos permitem autonomia alimentar, industrial, energética, tecnológica, da investigação científica. E por uma sociedade em que todos tenham acesso à saúde de qualidade e à educação de qualidade. 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:28

A criança faz uma birra, o adolescente bate com a porta, o adulto negoceia de forma responsável

Quarta-feira, 10.04.13

 

Os egos dos políticos interferem no seu comportamento e nas suas decisões, situando-se ao nível da maturidade do adolescente: querem agradar aos poderosos e detentores do poder financeiro, ao grupo de referência, ao grupo dos apoiantes, etc, etc. Vivem na azáfama de construir uma carreira política e para isso dependem de favores e de expectativas de um futuro numa qualquer empresa pública ou PPP ou câmara municipal ou fundação, etc. etc.

É por isso que são os actores ideiais do teatro político pois limitam-se a seguir um guião escrito previamente pelos interesses dos grupos financeiros e económicos, encenado diariamente nas televisões. Um adulto autónomo e responsável questionaria o guião, tentaria adaptá-lo às circunstncias actuais e ao benefício dos cidadãos como um todo, consideraria o grande plano.

 

Hipoteticamente, um político com a maturidade de um adulto portanto não dependente da aprovação social, seria capaz, além de se adaptar às circunstâncias da realidade, de se antecipar às situações evitando assim colocar o país em risco. 

 

Vejam 2 exemplos de incapacidade de negociar e de chegar a compromissos de forma responsável, tal como um adulto faria se estivesse no seu lugar:

- o discurso do PM em que responsabiliza o Tribunal Constitucional por um buraco orçamental (na verdade, aquele OE 2013 é apenas uma insistência na mesma tecla);

- a entrevista na Sic e o discurso do líder da oposição, em que iniciou uma birra infantil ao insistir em eleições antecipadas, quando não há condições para tal (na verdade, os contribuintes do público e do privado, os que ficaram sem emprego, os que tiveram de emigrar e os pensionistas não lhe perdoariam tal desvario, pois são eles que estão a pagar o preço das irresponsabilidades de governos socialistas e social-democratas).

 

 

Outro exemplo do ego próprio dos políticos é a reacção de amor-ódio que Margareth Thatcher despertou nos britânicos, dividindo o país ao meio na altura da sua saída de cena.

Como este texto de opinião refere, não é de bom tom (nem de humanidade mais elementar) tecer considerações negativas quando alguém parte mas, tal como os autores referem de forma muito perspicaz, a própria gostaria de saber que despertou emoções fortes nos seus conterrêneos, pois não há nada pior para um ego de um político do que ser ignorado ou esquecido.

E uma coisa é certa, como eles bem destacam, Margaret Thatcher mudou o Reino Unido muito mais do que se julga, em termos financeiros, económicos e sociais, desmantelando o sector público e mudando o centro da economia para a City of London, e influenciou muitas outras economias e equilíbrios entre economias.

E mais ainda, essa profunda transformação revelou-se irreversível, levando os autores a apelidá-la de rainha-mãe da austeridade. Destaco aqui alguns excertos:

 

(...)

Mrs. Thatcher transformed the character of British politics by heading a democratically elected Parliamentary government that permitted financial planners to carve up the public domain with popular consent. Like her actor contemporary Ronald Reagan, she narrated an appealing cover story that promised to help the economy recover. The reality, of course, was to raise Britain’s cost of living and doing business. But this zero-sum game turned the economy’s loss into a vast windfall for the Conservative Party’s constituency in Britain’s banking sector.

(...)

Attacking rent-seeking in government, she opened the floodgates to economic rent-seeking in its classical sense: land rent in real estate (with debt-inflated “capital” gains) to make British property so high-priced that employees who work in London must now live outside it, taking highly expensive privatized railroads to work. Privatization also created vast new opportunities for monopoly rent for privatized public utilities, along with predatory financial takings by increasingly predatory banking.

(...)

By time Mrs. Thatcher became Prime Minister in 1979, Britain had made over a century of enormous investment in public infrastructure. Financial managers eyed this commanding height as a set of potential monopolies to be turned into cash cows to enrich high finance. Mrs. Thatcher became the cheerleader for what became the greatest giveaway of the century as the City of London’s gain became the industrial economy’s loss. Britain’s lords of finance became the equivalent of America’s great railroad land barons of the 19th century, the ruling elite to preside over today’s descent into neoliberal austerity.

Her tenure as Prime Minister seemed to reprise Peter Seller’s role in Being There. She made good television precisely because her philosophy was stitched together in a sequence of sound bites that flattened complex social and economic relationships into a banal personal psychodrama. Mrs. Thatcher’s ability to sweep the broad financial and economic polarization and financial “free lunch” behind a curtain enabled her to distract attention from the consequences of what Harold Macmillan characterized as “selling off the family silver.” It was as if the economy was a middle-class grocer’s family trying to balance its checkbook along the lines of what its banker insisted were necessary in the face of wages being squeezed by rising prices for basic needs.

The ground for Mrs. Thatcher’s rule was prepared by the fact that England’s economy was as much a mess as the rest of the world by the time she took office. The 1979 Winter of Discontent saw a perfect storm unfold. Unable to restrain Arthur Scargill and other and other labor grandstanders, the British Labour Party felt little need to wait for Britain’s share of North Sea oil to come on stream. That windfall would subsidize a decade of dismantling what was left of British industry. Oil states do not need to be efficient. They do not need industry, or even employment.

(...)

The new twist was that the class war aimed at labor in its role of consumer and debtor, not as employee. England’s domestic industry took one beating after another as factories closed their doors throughout the country (with the most successful becoming gentrified real estate developments).

The Iron Lady was convinced she was rebuilding England’s economy, while in reality it was only getting richer from London’s outlaw banks.

Throughout the world, the damage wrought by this financialized economy has been immense. By “liberating” national money from the constraints of taxing authorities, the Middle East stopped much of its projects for industrial development. After 1990 the Soviet bloc was deindustrialized to become an oil, gas and mining economy. And for Britain, trillions of dollars in global tax revenues that could have been used for industrial and social development were routed though London, where the UK has lived off the fees from this free-for-all. So despite Mrs. Thatcher’s admiration for Milton Friedman, famous for claiming that There Is No Such Thing As A Free Lunch, she made Britain’s economy all about obtaining a free lunch – eaten by the world’s financial managers who flocked to its shores.

How much did Lady Thatcher come to understand about a financial sector of which she never deliberately favored? She never expressed regret about how her policies paved the way for New Labour to take the next giant step in empowering the City of London’s financial complex that has un-policed the banks to catalyze one financial crash after the next, hollowing out Britain’s economy in the process.

When Mrs. Thatcher took power, 1 in 7 of the England’s children lived in poverty. By the end of her reforms that number had risen to 1 in 3. She polarized the country in a ‘divide & conquer’ strategy that foreshadowed that of Ronald Reagan and more recent American politicians such as Wisconsin Governor Scott Walker. The effect of her policy was to foreclose on the economic mobility into the middle class that ironically she believed her policies were promoting.

(...)

But finance always has lived in the short run, and nowhere in the world is banking more short-term than in Britain. Nobody better exemplified this narrow-minded perspective than Lady Thatcher. Her simplistic rhetoric helped inspire an inordinate share of simpletons conflating supposed common sense with wisdom.

Not altogether simple, perhaps, but simply opportunistic. As the uncredited patron saint of New Labour, Mrs. Thatcher became the intellectual force inspiring her successor and emulator Tony Blair to complete the transformation of British electoral politics to mobilize popular consent to permit the financial sector to privatize and carve up Britain’s public infrastructure into a set of monopolies. In so doing, the United Kingdom’s was transformed from a real economy of production to one that scavenged the world for rents through its offshore banks. In the end, not only was great damage inflicted on England, but on the entire world as capital fled developing countries for safe harbors in London’s banks. Meanwhile, governments throughout the world today are declaring “We’re broke,” as their oligarchs grow ever more rich.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 17:25

Deduções por falta de acesso à informação fidedigna: o sistema está a reorganizar-se

Sábado, 26.02.11

 

Gostaria de clarificar em primeiro lugar os Viajantes que por aqui passam que me tenho de basear em deduções, uma vez que não tenho acesso a qualquer informação fidedigna. E tem sido mais ou menos assim desde que iniciei esta viagem pela blogosfera. 

De referir - e isto é muito importante, pelo menos para mim -, que se não fosse a internet em geral e a blogosfera em particular, não teria sequer conseguido efectuar estas simples deduções. É certo que poderia tropeçar num ou outro livro, mas o processo teria sido mais lento.

É que a simples observação do que se passa a nível político, económico, social e cultural, não nos teria fornecido toda a matéria de análise. É necessária a troca de ideias, experiências diversas, percursos diferentes. E não é na informação oficial que vamos encontrar qualquer informação sobre a realidade, aí apenas encontramos a ficção muito bem preparada para o consumo de massas.

 

Esclarecido este ponto, hoje voltamos ao centro da questão essencial: o sistema. A organização política, económica, social e cultural, que domina a situação, e há mais de 200 anos. Um dia destes irei ensaiar uma dedução histórico-cultural à procura da origem do actual sistema dominante. Mas hoje o que me interessa essencialmente é propor uma perspectiva, talvez ousada, mas ainda assim baseada em deduções lógicas e plausíveis: o sistema está a reorganizar-se.

Reorganizar-se: "mudar para ficar tudo na mesma", já conhecem a expressão, não é? Reorganizar-se: juntar as hostes, de todos os quadrantes do sistema, unir esforços e criatividades, para criar novas fórmulas a apresentar ao cidadão comum, aquele que o sustenta, para o convencer a continuar a sustentá-lo. Reorganizar-se: manter-se no poder a todo o custo, manter os seus privilégios de elite privilegiada, elite que se auto-nomeou e assim manteve no patamar certo, que se catapultou há muito tempo e não quer perder as mordomias.

 

É certo que o sistema já controlou as áreas-chave do poder político, económico, social e cultural. Senão vejamos: 

- Justiça: já está;

- Ministério Público: já está;

- Serviços Secretos: já está;

- Informação (jornais, televisões): acabou recentemente de neutralizar todos os canais, da RTP à TVI;

- Educação: actualmente a formatação das novas gerações está garantida;

- Banco de Portugal, Autoridade da Concorrência, etc. etc. : está, está, está.

 

Então o que é que falta? Pois aí é que está. Baseando-se desde 74 numa suposta democracia, depende do voto dos eleitores nos partidos sentados numa Assembleia da República. Olha que chatice! Ainda não há uma forma de evitar esta participação do cidadão comum no equilíbrio e estabilidade da sua vidinha confortável. 

Como é que o sistema vai dar a volta a isto? Fácil. Vai apresentar ao eleitor fórmulas aparentemente renovadas e fresquinhas (isto é, inocentes e puras), assim tipo um PSD próximo do cidadão e distanciado do PS, ou mesmo tornar-se um pouco mais audaz e lançar-se numa proposta de alteração da Constituição Portuguesa para introduzir a fórmula "semi-presidencialismo", porque não?, ou ainda mesmo mais audaz, se os tempos o apontarem, mudar de regime e voltar a uma "Monarquia Constitucional", a garantia de mais estabilidade (só espero que a Família Real tenha o discernimento de não alinhar no sistema. É que o falhanço da Monarquia Constitucional deveu-se afinal ao sistema. Mas isso fica para analisar de uma próxima vez).

 

Estamos ainda no plano das deduções, certo? Bem, vemos o sistema a reorganizar-se por se sentir ameaçado. Porquê? Porque já se tornou visível, e o pior que pode acontecer a um sistema ilegítimo é ficar visível. Hoje já é evidente para o cidadão comum que, enquanto sofre as dificuldades todas de uma "so called" crise internacional, há uma elite política, económica, social e cultural que vive confortavelmente à sua custa, de forma ilegítima. E que a "so called" democracia que lhe prometeram se revelou uma farsa. Sim, o cidadão comum sente-se enganado, ludibriado. É só ouvir as Antenas Abertas.  

Se o cidadão comum tem razão para agora se vir lamentar? Em parte sim, em parte não. Sim, porque foi de facto enganado e ludibriado. Não, porque quis ser ludibriado e enganado. Quis acreditar na ficção, mesmo que matematicamente impossível. Única atenuante: a informação oficial alimentou a ficção nos jornais e nas televisões.

 

Veremos, pois, nos próximos tempos, o PSD a apresentar-se ao eleitor, limpinho de responsabilidades políticas nos PECs e nos OEs mais recentes. Com um líder relativamente jovem e apresentável, tipo Ken engravatado, discurso vazio, generalista e pouco elaborado, mas o que importa é a imagem e a voz bem projectada, afinal foi a solução de marketing do PS quando lançaram o actual PM.  

Este PSD será a grande aposta do sistema por agora. As sondagens já o anunciam. O Presidente (do sistema) também está prestes a ser renomeado oficialmente. Está tudo preparado para que nada corra mal. Garantir o sistema no poder, a todo o custo. 

E o que pode correr mal? O cidadão comum não se deixar embalar pelas propostas do sistema. O cidadão comum acordar para a sua realidade e não querer continuar a sustentar esta organização parasita e ilegítima. Já há sinais concretos de que esse despertar para a realidade já se iniciou. 

Até ver, só o CDS percebeu esses sinais, mas o CDS não tem dificuldades de comunicação com o cidadão comum, desde sempre interpretou as suas necessidades e prioridades.

 

E aqui está uma interessante análise possível: Como distinguir hoje quem fala pelo sistema e quem fala pelo cidadão comum, pelo país real?

Só uma sugestão de um teste que penso será fiável: Quem segue os valores cristãos na sua vida, de forma coerente e consistente, não pode servir e/ou aderir a um sistema ilegítimo e injusto.

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:16

Coisas simples: a ironia divina

Domingo, 18.04.10

 

A Europa esqueceu a Islândia mas a natureza tratou de lha lembrar...

 

O abraço fatal do PS já envolveu sociólogos livres e independentes como António Barreto...

 

O Presidente diz que não é grego mas está a ver-se grego para regressar a Portugal...

 

E, finalmente, uma line perfeita para os tempos políticos actuais. A line é do Felix, personagem do filme Encostada às cordas, com a Meg Ryan: raw is workable, rotten isn't...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 19:34

"Libertar o futuro"

Sábado, 20.03.10

 

Vivemos na cultura da banalização. Poderia ter escolhido "a cultura da banalidade" ou "das banalidades", que também o é, mas a verdade é que a cultura actualmente mais influente, a que vemos nas televisões, na rádio, nas revistas, a que se propaga e contamina tudo o que nos envolve, é mais do que simplesmente banal. Sim, a actual cultura vigente banaliza tudo: a vida, os afectos, os sentimentos, as emoções, o sofrimento, os acontecimentos, as pessoas. 

Ao dessacralizar tudo, ao retirar o seu significado único, irrepetível, profundo, coloca tudo no mesmo plano, e esse plano é o da indiferença.

 

É por isso que se generalizou a ideia de que os políticos são todos iguais, os partidos são todos iguais, e que não vale a pena mudar porque vai ser a mesma coisa.

Este discurso cínico da indiferença e da impotência é o mais prejudicial possível na actual situação do país.

O melhor discurso, o que liberta e mobiliza, é o da verdade. Não a verdade embrulhada em desculpabilização, com os alibis do costume. Aliás, alibis que já não pegam.

 

Esta cultura da banalização apoia-se nos jornalistas e comentadores de serviço para matraquear diariamente a versão oficial e meter tudo no mesmo saco. Da forma mais superficial possível. Sem argumentação válida. E sem verdadeiro debate de ideias, só mesmo banalidades.

Mesmo estes estudos pseudo-científicos baseados em inquéritos mais que discutíveis com amostras mínimas, sem neutralizar factores que interferem num estudo científico, sem validação fidedigna, tudo é válido para espalhar a versão que convém ao situacionismo.

 

É o mundo das sondagens pré-eleitorais, que dramatizam as expectativas e pretendem influenciar os eleitores.

Alguém duvida hoje que Paulo Rangel é o que faz tremer os socialistas?

Alguém duvida que o preferido do situacionismo desta cultura da banalização é Passos Coelho? 

 

Não se pode meter tudo no mesmo saco, deve cultivar-se a observação e a reflexão. Distanciarmo-nos do barulho que por aí vai.

Atirarem-nos com números que nem sequer são fiáveis, não nos impressiona. Já vimos como os números são facilmente manipuláveis. 

Se até mesmo os números que se aproximam da realidade acabam por banalizar essa mesma realidade se mal interpretados e mal utilizados...

 

Por isso estou confiante: o PSD ainda tem uma grande reserva de auto-preservação e instinto de sobrevivência para não se deixar iludir. Mostrou que está vivo, como já há muito não o víamos, e é essa energia que deve manter, essa vitalidade.

O seu maior trunfo? A política de verdade, porque é de verdade que o país precisa. E depois, da mobilização de todos, porque estamos todos no mesmo barco. E teremos de colaborar, cada um na sua dimensão própria do possível e do justo.

 

Essa mobilização não surgirá por acaso, mas se souberem escolher quem melhor representa essa energia vital, essa convicção, essa alma acesa.

Aliás, no Prós e Contras mais recente, repararam como foi precisamente o médico, director do Hospital de Santa Maria, o que melhor percebeu isso?, percebeu que qualquer coisa de muito errado se está a passar. Falou em desânimo, perda de energia, e a generalizar-se. As pessoas precisam de esperança, de acreditar em qualquer coisa, de um futuro.

Sim, precisam de futuro, e sentir que estamos todos juntos a colaborar na direcção desse futuro possível.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:08

"E ninguém se revolta com isto?" (Bagão Félix, sobre o PEC)

Quinta-feira, 18.03.10

 

Ontem ainda consegui assistir aos resumos do debate na AR sobre o PEC, a constituição de uma comissão de inquérito e as trocas acesas entre Marques Guedes e José Lello. E consegui ainda perceber, numa notícia de um dos telejornais, que surgiram problemas nas negociações dos sindicatos dos professores com a ministra da Educação. E ainda ouvi Carvalho da Silva sobre o PEC. Que o povo se iria mobilizar. Mas desta vez não me soou a PREC, apenas me lembrei do que Medina Carreira anda a dizer há 2 ou 3 anos: as pessoas vão-se revoltar perante estas enormes diferenças sociais.

 

Em relação ao debate na AR: sobre o PEC, esse estado novo reeditado, irei falar a seguir, sobre a comissão de inquérito apenas dizer que é uma das funções de um parlamento numa democracia. E sobre a divergência entre os dois deputados: o PS, à falta de argumentos, quer colar o PSD à falta de liberdade de expressão interna. É risível. O PSD é o partido que mais pratica a liberdade de expressão. A norma estatutária que tem dado tanto alarido dirige-se apenas aos ilustres que se põem a criticar as orientações do próprio partido nas televisões, em vez de o fazer dentro do partido, como aliás deve ser.

Assim, José Lello teve de se confrontar com a sua contradição, pois referiu, num debate televisivo, que Manuel Alegre tinha falta de carácter. E porquê? Porque se distanciou uma ou duas vezes da orientação oficial do PS. Resultado: José Lello ficou vermelho e teve de engolir a verdade sobre a magnífica liberdade de expressão dentro do PS. 

Mas mesmo na discussão sobre o PEC e sobre a constituição da comissão de inquérito, a argumentação do PS baseou-se no seguinte: trata-se de uma perseguição ao PM e o PSD sofre de asfixia democrática. É esta a argumentação do PS, nada mais.

 

Depois destes resumos, passei à Sic Notícias e ainda vi e ouvi o final da entrevista de Mário Crespo a Bagão Félix. O que lamentei não ter conseguido apanhar toda a entrevista...

Foi reconfortante ouvi-lo, porque fora Medina Carreira e uma ou outra voz mais lúcida, ninguém fala assim no país.

Consegui registar esta frase sobre o PEC, aí vai:

Este PEC é muito presente nos impostos, vago na despesa, omisso na poupança e ausente na economia.

Isto diz tudo. Mas há mais:

O PEC é contra a família. Bagão Félix explica que o PEC trata de forma igual famílias com muitos filhos e as restantes famílias.

Em relação aos reformados: Então os desgraçados com as pensões mais baixas, de 187 euros, vão ver as suas pensões congeladas até 2013?

O país precisa de um reforço de decência. Há muita falta de decência no nosso país.

É um Bagão Félix perplexo e emocionado que pergunta quase no final: 

E ninguém se revolta com isto?

Onde está a Igreja? Está anestesiada? No meu tempo de ministro e no tempo de Guterres, ainda saíam umas Notas Pastorais...

 

Com estas frases registadas nos neurónios, passei para as únicas séries televisivas que acompanho, Life on Mars e Lie to me, que preenchem actualmente o meu serão das 4ªs feiras.

No final, ainda consegui ouvir um Manuel Villaverde Cabral muito inflamado nos segundos finais do programa Roda Livre da TVI 24: Não é certo que quem romper com esta paz podre vá ser penalizado... penso que se referiu ao Presidente, porque falou em reeleição.

Porque é que será que juntaram todos os programas interessantes nas 4ªs feiras à noite? A ver se consigo ver a repetição do Roda Livre na TVI 24 às 13 e pouco. E a ver se voltam a passar na SIC excertos da entrevista a Bagão Félix.

 

Sim, este é o estado novo reeditado. Bem pior do que na primavera marcelista em que a Igreja tinha uma voz pelos mais desprotegidos da comunidade. E as elites culturais tinham um papel muito significativo. Nunca aliás houve tanta energia vital, tanta criatividade, tanto entusiasmo, tanta esperança... Talvez não seja por acaso que os jovens estão a recuperar Ary dos Santos.

Quanto ao poeta da Trova do Vento Que Passa... que me levou a votar em 2006, numa recaída patética na nostalgia de um tempo que passou para sempre (os trovadores de Coimbra dos anos 70), já não convence ninguém. Essa Trova é como o PS e o socialismo: um equívoco.

 

 

 

Dois dias depois: Quanto à Igreja, seria injusto não referir aqui as vozes dessa igreja viva, essa luz acesa, de D. Manuel Martins, D. Januário Torgal Ferreira e D. Carlos Azevedo. Haverá outras vozes certamente, mas estas foram as que eu ouvi.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:48

A agitação jornalística e comentarista

Segunda-feira, 15.02.10

 

O ambiente já se agitou, ele é antenas abertas, fóruns populares, questionários, se quiser Pedro Passos Coelho ligue o número, ouço a voz ofegante da apresentadora... e a repetição da opinião do oráculo de domingo, que não avança e que neste momento só confunde e empata.

E não é só o oráculo a confundir e a empatar, são os jornalistas e os comentadores de serviço, onde é que eu já vi isto?, e tudo isto porquê?

Eu explico: Paulo Rangel teve a ousadia de se candidatar à liferança do PSD.

É por isso que ouço esta frase foleira a uma jornalista, onde nem aqueceu o lugar... Isto é frase que se diga? Céus!

 

Bem, vamos todos é respirar fundo e observar de forma distanciada. Para isso temos de baixar o som da televisão e do rádio sempre que se aproximar algum jornalista agitado ou comentador efervescente.

 

Primeiro ponto: onde é que a candidatura de Paulo Rangel é semelhante à de Aguiar Branco?

Segundo ponto: Já constatei que a candidatura de Passos Coelho é a preferida da generalidade dos jornalistas e dos comentadores de serviço.

Terceiro ponto: Também alguma coisa me diz, mas é só uma intuição, que Paulo Rangel é o preferido dos potenciais eleitores do PSD.

Quarto ponto: Se o oráculo gostava assim tanto de se candidatar, e se os eleitores o preferiam cono nos diz uma jornalista baseada não sei em quê, porque não avança?

Quinto ponto: A primeira coisa que se perdeu nestes anos mais recentes foi a educação básica, o respeito pelo outro nosso semelhante. A segunda, foi a capacidade de observar e reflectir, pela sua própria cabeça, e falar na sua vez. E tudo isto alimentado nas televisões e nos diversos programas de comentário político.

 

As três candidaturas têm o seu espaço e o seu grupo de afinidades no PSD e não se cruzam neste momento.

Pedir a um qualquer candidato que se afaste? A que propósito?

São filosofias de base diferentes, posturas diferentes, estilos diferentes, e perfis completamente diferentes.

Então há uns tempos que não havia ninguém no PSD, agora queixam-se por haver a mais? Decidam-se.

 

A minha opinião pessoal? Sim, adivinharam: Paulo Rangel.

O perfil adequado para uma liderança inteligente, dinâmica, com um propósito claro e bem definido, e que mobiliza vontades.

Mais do que consensos que só dão lugar à existência dos empatas de serviço, é preciso clarificar as posições e os objectivos, o que se quer para o PSD e para o país.

 

Quanto à agitação dos jornalistas e dos comentadores televisivos e radiofónicos, é só uma questão de não os levar muito a sério. Nada de fidedigno nasce da agitação. O que vale a pena nasce sempre da reflexão. Mas, claro!, tudo isto faz parte de uma sociedade em que tudo é tratado como um produto de consumo, em que não há valores ou referências acima de audiências e de outros interesses situacionistas.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:32








comentários recentes



links

coisas à mão de semear

coisas prioritárias

coisas mesmo essenciais

outras coisas essenciais

coisas em viagem


subscrever feeds